Empregados da Cemig e empresários são investigados por crimes contra a administração pública e financeiros

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em desfavor de empregados da Cemig e empresários que forneciam materiais para uso da estatal.

Na manhã desta terça-feira, 30 de agosto, a “Operação Mau Contato”, cumpriu mandados de busca e apreensão em desfavor de empregados da Companhia de Energia de Minas Gerais – Cemig e empresários que tinham contratos de fornecimento com a empresa pública.

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, como isso foram apreendidos documentos, computadores, telefones celulares e dispositivos eletrônicos pessoais dos envolvidos.

Também foram deferidas pelo Juízo o bloqueio e  indisponibilidade de bens dos envolvidos, da ordem de R$ 132.261.429,20 milhões, para garantir o futuro ressarcimento dos danos causados ao patrimônio da empresa pública e  aos consumidores e usuários do serviço.

A operação marcou o encerramento da primeira fase de investigações de Procedimento  Investigatório Criminal – PIC, presidido pela 17ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte, com a cooperação do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa da Probidade Administrativa  e do Patrimônio Público (GEPP).

O PIC foi instaurado após término de investigação corporativa interna da própria Cemig, concluída ao final de 2020. Na ocasião, dirigentes e empregados da Companhia foram afastados e a estatal residiu contratos com fornecedores, parte deles, agora, alvos da investigação conduzida pelo MPMG.

O que diz a Cemig

O Varginha Digital entrou em contato com a assessoria de imprensa da Cemig, que nos encaminhou o posicionamento, que é reproduzido na íntegra, abaixo:

“A Cemig informa que realizou investigação corporativa interna sobre denúncias de supostos casos de corrupção na área de compras da
Companhia, em colaboração com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).

Para isso, (i) contratou assessores especializados para a condução da investigação corporativa, (ii) instaurou procedimento administrativo disciplinar (PAD) para apuração dos fatos e responsabilidades e, (iii) em 8 de janeiro de 2021, afastou cinco empregados que ocupavam posições de liderança da área de compras da Companhia, sem prejuízo de seus vencimentos, para preservação da investigação.

A Cemig esclarece ainda que, desde o primeiro momento, assumiu o compromisso de colaborar com o MPMG e informou às autoridades norte-americanas (DoJ e SEC) sobre a investigação das denúncias, pois a Companhia tem ações negociadas na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. O relatório dessa investigação foi compartilhado com essas autoridades. A investigação seguiu padrão internacional.

A Cemig mantém total colaboração com as autoridades competentes e ressalta ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos”.

Entenda o caso

Após as investigações foi descoberto que um grupo de empregados da Cemig atuou em conluio com empresários do ramo de produção e revenda de cabos condutores e outros materiais elétricos. Eles fraudavam as contratações da Companhia, desde a fase de licitação até a execução dos contratos.

Por quase dois anos, a ação dos envolvidos favoreceu ilicitamente os  fornecedores que, com a intervenção direta de alguns empregados públicos, obtiveram grande  lucro com a entrega de material imprestável à Cemig.

Foi apurado que o uso do material na rede elétrica gerida pela Companhia apresentava riscos à qualidade, desempenho e segurança da prestação de serviços e dos  usuários, além de prejuízos financeiros.

A “Operação Mau Contato” foi deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), atuando em conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), com as Polícias Civis de Minas Gerais e de São Paulo e com a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais.

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