Mineira alega ter sido mantida em cativeiro pela modelo Yasmin Brunet, entenda o caso

Letícia
Leticia Maia, que publicou vídeo alegando ter sido mantida em cativeiro por Yasmin Brunet. Foto: Redes Sociais.

O caso envolvendo a modelo Yasmin Brunet teve notoriedade nos últimos dias após ganhar as atenções de usuários das redes sociais.

A jovem Letícia Maria Alvarenga, 21, de Perdões, afirmou, em vídeos publicados em redes sociais, que era mantida em cativeiro pela modelo Yasmin Brunet nos EUA. A jovem foi ao país para fazer intercâmbio e deixou de responder a familiares e amigos no Brasil depois de ter contato com influenciadora e coach Katiuscia Torres Soares, conhecida por Kat.

“Fui traficada e sequestrada, não pela Kat, mas pela Yasmin! Ela tem um esquema de prostituição aqui fora! A Desirrê está em poder dela”, disse Letícia em vídeo, após ter supostamente fugido de um cativeiro.

Entenda o caso

O caso teve notoriedade nos últimos dias após ganhar as atenções de usuários das redes sociais. O pai da jovem, Cleiton Castro Alvarenga fez um post nas redes sociais denunciando o desaparecimento da filha, desde abril deste ano, depois que ela começou a trabalhar com a influenciadora no Texas, nos Estados Unidos.

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Ela foi ao Estados Unidos para um programa de au pair, intercâmbio onde a pessoa faz parte de uma família anfitriã norte-americana, por um ano, cuidando de seus filhos, e recebe em troca acomodação, refeições, remuneração semanal e a oportunidade de viagens e estudos.

No entanto, após conhecer Kat, a jovem deixou de responder a familiares e amigos no Brasil. Desirrê Torres, 26, natural do estado de São Paulo, também estaria na mesma situação.

Após cortarem os laços com as famílias, as jovens, que estariam morando nos EUA, tiveram suas fotos publicadas em um site de prostituição, atividade que é ilegal no país norte-americano. 

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Imagem: reprodução

Em nota à imprensa na última segunda-feira, 17, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou que há registro de desaparecimento de Letícia, e os pais dela foram ouvidos”. Ainda segundo a instituição policial, a Polícia Federal foi consultada e reportou que existe registro de desembarque da jovem no Aeroporto Internacional de Houston em 14 de maio deste ano.

O caso já chegou ao Ministério das Relações Exteriores, que informou que acompanha a situação por meio do Consulado-Geral do Brasil em Houston. O órgão acrescentou que está em “contato estreito com as autoridades policiais norte-americanas responsáveis pela investigação”.

O dizem as acusadas

Devido à pressão popular nas redes, Kat declarou na sexta-feira (14/10) que tanto Letícia quanto Desirrê estão bem, sendo que elas não falam com suas famílias em decorrência de relacionamentos abusivos. As jovens, posteriormente, gravaram vídeos reforçando as falas de Kat, veja abaixo o vídeo de Letícia.

Letícia, especificamente, chegou a aparecer em uma live com a guru. As publicações com ataques à família não convenceram a maioria dos internautas.

Nos comentários muitas pessoas acreditam que Letícia foi coagida, de alguma forma, a gravar os vídeos. Em relação às postagens em texto, foi levantada a suspeita de que as mensagens tenham sido escritas por Kat.

O perfil da coach foi desativado no Instagram. No Facebook ela tem feito vários posts para rebater as acusações.

A modelo e influenciadora Yasmin Brunet usou seu perfil no Instagram para se posicionar sobre as acusações. De acordo com Yasmin, ela não vai mais comentar nada a respeito do caso e que havia entrado na história buscando ajudar, no entanto, entendeu que seu nome só foi envolvido por atenção ou fama.

Por meio de um comunicado publicado nos stories do Instagram, Yasmin Brunet negou qualquer envolvimento no esquema.

“Não vou nem comentar mais nada a respeito desse caso. Os meus advogados no Brasil e nos Estados Unidos estão tomando providências legais e cabíveis. As autoridades já estão investigando. Entrei nessa história buscando ajudar, mas agora vendo essa confusão que estão fazendo, entendi que buscam apenas atenção. Só que fazer isso envolvendo um assunto tão importante é chocante. Tráfico humano é um assunto grave, não é para brincar ou ganhar fama em cima. Quanto mais a gente banaliza, mais essas vítimas se tornam invisíveis, parte de um senso ficcional, sendo que esse mercado horrível existe, movimenta muito dinheiro em cima dos corpos das mulheres. Tráfico humano não é fanfic. É assunto sério e urgente“, disse ela.

Desirrê Freitas

Um perfil chamado Serching Desirre foi criado pela família e amigos em busca de Desirrê Freitas. Neste perfil estão depoimentos de outras vítimas de Kat.

A coach enviou para a página Searching Desirrê um vídeo no qual a jovem pede para que as pessoas parem de procurá-la. Mas a família fez uma postagem oficial sobre o assunto.

“Muita gente está acompanhando as lives que estão surgindo, todas com narrativas deturpadas – o padrão da falsa guru para desviar o foco dela. Quem conhece as meninas não compactua com as inverdades levantadas. Nos vídeos é possível ver nitidamente que existe uma prisão para além da física, que é a prisão emocional: manipulação, ameaças, culpabilização da vítima e falsas promessas”, destacou um trecho da nota publicada pela Searching Desirrê. 

Quem é Kat Torres

Em seu site oficial, Kat Torres se apresenta como modelo, escritora e “life coach”. Ela afirma que tem mais de mil clientes pelo mundo para os quais realiza consultas. Em seus atendimentos, ela promete uma “transformação de vida” e ensina como ter “relacionamentos de sucesso”. Ela é natural do Pará, atualmente ela afirma que reside em Manhattan, Nova York.

De acordo com as informações as cobranças poderiam chegar a U$ 8 mil para “fazer energia”. Segundo ela, o procedimento serve para que as pessoas consigam visto de trabalho ou permanente e, deste modo, possam ficar nos EUA.

“Assim, elas poderão fazer ‘business’ comigo, eu mesma, em pessoa, e elas ficarem milionárias aqui. Eu sei que é um plano de mestre, e ninguém quis ter o estresse de fazer”, disse, destacando que o projeto é comandando por ela, Letícia, Desirrê e “algumas outras duas bruxas”.