País reverte cenário crítico de 2022 com políticas integradas como o Bolsa Família e o PNAE, aponta ONU
O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28), pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, realizada em Adis Abeba, na Etiópia.
O dado faz parte do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025” (SOFI 2025), e leva em consideração a média do triênio 2022–2024. Segundo o documento, menos de 2,5% da população brasileira está em situação de subnutrição ou com acesso insuficiente à alimentação.
O índice representa um marco expressivo, especialmente considerando o cenário de 2022, quando mais de 33 milhões de brasileiros enfrentavam a fome. A rápida superação da insegurança alimentar grave foi possível graças à combinação de políticas públicas integradas de combate à pobreza e fortalecimento de programas sociais.
Entre as principais ações que contribuíram para esse avanço estão:
- Bolsa Família: retomado com critérios atualizados e valores ampliados;
- Geração de emprego e renda: políticas de estímulo ao mercado de trabalho;
- Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE): responsável por garantir merenda de qualidade para mais de 40 milhões de estudantes da rede pública.
O PNAE, gerido pelo FNDE e vinculado ao Ministério da Educação, foi apontado como um dos pilares da transformação social. Desde 2023, o programa passou por uma série de reforços, incluindo o maior reajuste de valores em mais de uma década, com aumento de até 39% nos repasses.
Além disso, a legislação do programa exige que no mínimo 30% dos alimentos adquiridos sejam oriundos da agricultura familiar. Dentro desse percentual, há prioridade para produtos de indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária e mulheres agricultoras.
Outro avanço importante está na qualidade nutricional dos alimentos servidos nas escolas:
- Em 2025, 80% dos recursos do PNAE deverão ser usados em alimentos in natura ou minimamente processados.
- Esse índice subirá para 85% em 2026.
- O limite para alimentos processados e ultraprocessados será de 15% em 2025 e 10% em 2026.
simsUm exemplo global de superação
O reconhecimento internacional reforça que o Brasil pode ser referência global no enfrentamento da fome, desde que haja vontade política, integração entre programas e prioridade para os mais vulneráveis.



