Campanha: cidade onde nasceu o Sul de Minas

Como quase todas as cidades mineiras, Campanha nasceu no período da extração do ouro. 

No início Campanha integrava todo o Sul de Minas, mais uma parte de São Paulo. Hoje mais de 160 cidades ocupam seu território original. Por isso, podemos dizer que foi em Campanha que nasceu o Sul de Minas.

Com pouco mais de 15 mil habitantes, Campanha carrega uma rica história entre casarões muito conservados do séc. XVIII.

As ruas calçadas com paralelepípedos e diversos estilos arquitetônicos antigos convivem com construções modernas.

No Circuito das Águas de Minas Gerais, é a cidade mais antiga do Sul de Minas. A cidade respira cultura e história. Campanha é sede da Academia Sul-Mineira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Alfredo Valadão, da Cruzada Nacional de Alfabetização, precursora do MOBRAL, da Fundação Cultural, entre outras entidades sócio-culturais.

Campanha também é cidade natal de Vital Brazil, cientista internacionalmente conhecido por ser o descobridor do soro antiofídico. Outros famosos de Campanha foram Maria Martins e Padre Victor.

Além da arquitetura, a cidade possui expressivo trabalho de artesanato em fios e fibras, esculturas em madeira e bordados, além da culinária típica do sul de Minas.

Como toda cidade mineira, a religiosidade é muito marcante. É na cidade que fica a sede do bispado católico, que compreende 70 (setenta) paróquias, 01 (uma) Região Pastoral e 01 (uma) Reitoria Episcopal, que estão espalhadas por 49 (quarenta e nove) municípios.

Conheça os principais pontos turísticos e descubra Campanha

Turismo Religioso

Não poderíamos falar de religião em Campanha sem começar pela história de Francisco de Paula Victor, o Padre Victor (1827-1905).

Foto: Arquivo da Secretaria de Cultura de Três Pontas.

Apesar de se dedicar à sua vida religiosa em Três Pontas, onde morreu e foi enterrado, a vida do religioso começou em um casarão na Rua Direita da Campanha de 1827.

Victor venceu todos os preconceitos e barreiras sociais, se tornando o primeiro padre ex-escravo do Brasil.

Padre Victor faleceu no dia 23 de setembro de 1905. A notícia abalou a cidade e toda a região, que já o venerava. Após sua morte, ele ficou insepulto por três dias e o corpo do padre exalava perfume, segundo relatam. Ele foi enterrado na Igreja Matriz da cidade, que também foi construída por ele.

Desde então, muitas pessoas declaram que o religioso intercedeu para que alcançassem seus pedidos e graças.

No dia 15 de novembro, foi beatificado pela Igreja Católica em Três Pontas (MG).

Casa de Pe. Victor

O casarão onde Victor nasceu permanece de pé até os dias de hoje. Atualmente a Rua Direita se chama Saturnino de Oliveira e o casarão abriga uma loja de artesanatos da família da artista Marisol Garcia da Luz, de 51 anos.
Endereço: rua Saturnino de Oliveira, 266

Catedral de Santo Antônio

Terceiro maior templo católico do país e o maior de Minas Gerais, a catedral foi construída com taipa e pedra. Erguido por escravos no séc. XIII, tem obras atribuídas a Aleijadinho e à sua escola.
Endereço: Praça Dom Ferrão

Igreja de Nossa Senhora das Dores

O templo mais antigo da cidade, construído com taipa e pedra, em 1799. Mostra a arquitetura das igrejas do “ciclo do ouro” (como de fato é) de Ouro Preto e Sabará.
Endereço: rua Saturnino de Oliveira.

Capelinha de São Miguel

Sua origem está ligada a um cemitério paroquial, instalado em 1875 e fechado em 1913. No local foram sepultados alguns clérigos e noviços da Companhia de Jesus, há cerca de 90 anos. Endereço: rua Cipriano José da Rocha.

Capela da Santa Cruz

A primitiva Capela da Santa Cruz, construída por volta do ano de 1848, fora do perímetro urbano, na localidade denominada de Árvores Bonitas, foi consumida por um incêndio tido como criminoso. Substituiu a Segunda Capela, em 1895, em uma elevação no fim do Bairro das Almas e, mais tarde, por se achar em ruínas, foi demolida, até que, em seu lugar, foi edificada a terceira e atual Capela de Santa Cruz, em 1938, no mesmo belo e aprazível local.

Igreja de São Sebastião

Pequena, de estilo colonial, erguida em 1805. Em 1945 por conta do seu estado precário, foi derrubada. Foi construído um novo templo, atrás de onde existiu o anterior, sendo alargada a praça. A igreja guarda imagens em gesso. Entre elas, a de São Sebastião, em tamanho natural.
Endereço: praça São Sebastião.

Turismo histórico e cultural

Casa de Vital Brazil

Em Campanha nasceu o criador do Instituto Butantã e descobridor do soro antiofídico. No acervo do museu estão móveis que pertenceram ao cientista, animais peçonhentos, livros raros e arte sacra. A construção de 1830 segue a arquitetura colonial, com telhas feitas à mão por escravos e paredes de pau-a-pique.
Endereço: rua Vital Brazil.

Foto: Fernardo Garcia.

Casa de Maria Martins

A grande escultora, conhecida internacionalmente, nasceu em 1900 numa casa colonial de Campanha. As obras de caráter surrealista da artista, amante de Marcel Duchamp, têm raízes no barroco brasileiro.
Endereço: praça Dom Ferrão.

Casarão Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora

O bonito sobrado, datado de 1770, hospedava com frequência o casal de inconfidentes Bárbara Heliodora e Alvarenga Peixoto. O casarão era da irmã da revolucionária.

Foi nessa casa que Heliodora encontrou acolhida após denúncia, prisão e morte do marido na África (abolicionista e autor do lema “Libertas quæ sera tamen”, inscrito na bandeira de Minas). Há uma placa alusiva ao fato na casa bem conservada, que não está aberta à visitação.
Endereço: rua Saturnino de Oliveira, 200.

Solar dos Ferreira

Relíquia arquitetônica e histórica da cidade, o solar abrigou os poderes legislativo e executivo, além de repartições públicas. Foi construído para moradia pelo minerador e político Francisco de Paula Ferreira Lopes. O prédio foi sede do governo provisório do Estado Minas do Sul, em 1892. Em 1927, foi adquirido pelo Dr. Jefferson de Oliveira para que ali se instalasse a Escola Normal Oficial, que funcionou até 1937. Em 1964, abrigou a Escola de Comércio João XXIII e também abrigou a Escola Estadual Vital Brasil, logo após a sua criação. Abrigou também por algum tempo a Escola Estadual Dom Inocêncio. Em 1945, a família do Dr. Jefferson de Oliveira o doou para a municipalidade.

Em 30 de maio de 1996, possivelmente ocasionado por um curto-circuito na parte superior do prédio, todo o sobrado pegou fogo. O incêndio consumiu mais de um século e meio de história: um prédio que era patrimônio histórico e cultural de toda região mineira.

Antigo Colégio Nossa Senhora de Sion  

O Colégio Nossa Senhora de Sion foi construído por freiras e padres franceses que residiram em Campanha, e por um longo tempo foi importante na educação de meninas.

Museu do Sul de Minas

O Museu Regional surgiu de uma reivindicação do Sul de Minas envolvendo mais de sessenta cidades. Campanha foi escolhida como sede por ser a cidade mais antiga da região.

O museu foi inaugurado no dia 29 de abril de 1992 e lá podemos encontrar salas de:

Arte Sacra: exposição permanente de imagens, oratórios, livros e objetos litúrgicos.
Objetos de Ferro: bombas d’ água, maçaricos, forma para hóstias, relógios, máquinas de uso nas lavouras, etc.
Exposição Temporária: periodicamente o museu organiza amostras lembrando datas cívicas da cidade. Há também exposições de artistas, artesãos e escritores.
Exposição Permanente: objetos históricos, artísticos, antiguidades, numismática, etc.
Sala de História Natural: mineralogia, animais empalhados, antropologia, estudos de madeiras, etc.
Sala de Reserva Técnica: guarda objetos que não estão em exposição.
Endereço: rua João Luiz Alves.

Turismo de Natureza

Lago da Barragem

Natureza exuberante, que está em toda a parte. O lago foi represado com a construção da “barragem” tendo sua obra iniciada em 1939 e inaugurada em 12/10/1941. Perfeito para pesca esportiva, esportes aquáticos e passeios de barco.

O lago está dentro do perímetro da Serra das Águas. Tem uma extensão de 43 km e seu ponto mais elevado é o local conhecido como Grotão, numa altitude de 1.526 m.

Pedra da Baleia

Foto: Maurílio Villamarim.

Localizada na estrada municipal EM-050 à 5 km do centro da cidade, após a curva do bananal ou toca do urubu ou pedra preta.

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