São João Del Rei: Capital Brasileira da Cultura

Cultura, história e vida noturna agitada. São João Del Rei tem atrações para todos os gostos.

Diz a história que nos anos de 1704 e 1705, o português Manuel João de Barcelos descobriu uma grande quantidade de ouro, no Morro das Mercês. A partir daí, começara o povoamento.

Muita gente veio para o povoado em busca de riqueza e minerais. A vila ganhou o nome de Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar. Em 1713 foi elevada a condição de Vila de São João Del Rei. Atualmente, é uma das cidades históricas mais desenvolvidas do Estado de Minas Gerais e faz parte do roteiro turístico da Estrada Real.

Nesta matéria você pode conhecer um pouco desta cidade única de Minas Gerais.

Centro Histórico

Aqui fica uma dica muito importante para as mulheres: não usem salto pra andar no centro histórico, pois as ruas são de pedra!

O centro histórico ainda guarda o charme e a riqueza do ciclo do ouro e suas construções barrocas do século XVIII, bem preservadas. Impossível não se impressionar com os casarões que encantam os turistas. O conjunto arquitetônico totaliza mais de 700 imóveis tombados pelo IPHAN em 1938. Em 2007, a cidade ganhou o título de Capital Brasileira da Cultura.

Caminhar pelas estreitas ruas do Centro Histórico, com seus Museus, igrejas e sobrados centenários que contam a história do Brasil Colônia em São João del Rei, é quase obrigatório para o turista.

Veja algumas sugestões de lugares para conhecer:

Ponte da Cadeia

Um dos mais conhecidos marcos da cidade de São João del Rei (MG), a ponte da Cadeia impõe-se na paisagem urbana com seus arcos e muradas de pedra, próxima da atual sede da Prefeitura Municipal. A construção se deu em 1797, depois que a antiga obra, feita de madeira, ruiu durante a passagem de uma procissão. Fez-se então a nova ponte com pedra, a primeira a utilizar este tipo de material na cidade. Erguida sobre o córrego do Lenheiro, foi inaugurada em 1849.

Foto: mineirosnaestrada.com.br

Picolé do Amado

O Picolé do Amado é uma pequena empresa de picolés artesanais que se iniciou com o Sr. Amado José Vieira em 1965.

No início da década de 60 o Sr. Amado comprou com suas economias um ponto de bar, que transformou no Café da rede ferroviária, onde ele servia, entre outras coisas, deliciosos doces caseiros feito por ele mesmo.

Com a evolução dos transportes e com a desativação de grande parte das estradas de ferro, o movimento foi reduzindo até que ele foi obrigado a deixar o bar e abrir uma oficina de consertos em geral e aluguel de bicicletas.

Certo dia um grande amigo resolveu deixar com o Sr. Amado uma máquina de picolé para ser reformada. Ele conseguiu consertar e resolveu testar a máquina fazendo uma receita do picolé de coco, sabor escolhido por já ter experiência na fabricação de cocadas.

Os clientes que alugavam bicicletas experimentaram a primeira produção do Picolé do Amado. E após a primeira degustação os clientes pediram mais, o que foi um incentivo para que sr. Amado viesse a negociar aquela máquina, trocando pelas bicicletas que ele alugava na loja.

A partir daí o “sô” Amado não parou mais de produzir picolés. A sua receita é mantida e os picolés são servidos até hoje, com lançamento de novas lojas em Tiradentes e em Belo Horizonte.

Para saber mais sobre esta tradição deliciosa, acesso o site Picolé do Amado.

Em São João Del Rei o Picolé do Amado fica na Rua José Leite de Andrade, 28 / 24, próximo a estação ferroviária

Memorial Tancredo Neves

Localizado em um casarão do século XVIII, o Memorial Tancredo Neves foi aberto em 08 de dezembro de 1990, em São João Del Rei, Minas Gerais.

Não se trata da simples exposição de imagens, mas de um panorama didático de uma biografia que teve influência decisiva na travessia do Brasil dominado pela ditadura militar para um país baseado nos ideais de liberdade e igualdade para todos.

São oito salas que se transformam em oito capítulos da vida de Tancredo por meio de textos, vídeos, sons, fotos e projeções. Aqui a vida pessoal se mistura com o percurso do homem público.

O memorial fica na R. Padre José Maria Xavier, 7 – Centro.

Aberto de sexta a domingo e feriados
Horário: 09 às 17 horas
Ingresso: R$ 2,00

Solar da Baronesa

Conta a história que o terreno onde fica o Solar da Baronesa pertenceu a Pedro de Alcântara de Almeida, falecido em 1815. É quase certo que, senão todos, um de seus filhos, mais provavelmente Francisco de Paula de Almeida Magalhães, falecido em 1848, tenha sido quem de fato mandou construir o casarão.

Faz parte da história do Solar o fato de ter servido de quartel de um contingente militar e de hospedaria para imigrantes italianos quando aqui chegaram em 1888. Sabe-se também que o mesmo casarão abrigou o Colégio Conceição, fundado em 1881.

A “história da Baronesa” começou com o Barão de Itaverava, Alexandre José da Silveira, nascido em Passa Quatro, que mudou-se para a Fazenda da Ponta do Morro (Tiradentes) e comprou vários imóveis em São João Del Rei.

Apesar de não constar o casarão entre os bens do Barão, acredita-se que após a morte dele a Baronesa Ana Eugênia foi morar no local, que passou a ser conhecido como “Solar da Baronesa”.

(Fonte: extraído de texto do Prof. Antônio Gaio Sobrinho, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei).

Independente da origem, o fato é que o Solar da Baronesa é um passeio obrigatório na passagem por São João Del Rei.

O Solar da Baronesa fica na Praça Dr. Augusto das Chagas Viegas, 17.

Informações pelo telefone: (32) 3379-2500

Museu Regional de São João Del Rei

O prédio que abriga o museu foi construído em 1859 no Largo do Tamandaré e possui três pavimentos.

O casarão foi feito para abrigar a família e o comércio do comendador João Antônio da Silva Mourão (1806-1866) durante o último ciclo do ouro na cidade.

A casa, que ocupa um quarteirão inteiro, fica em frente à praça principal e a sua fachada conta com elementos arquitetônicos do barroco, do neoclassicismo e do rococó, sendo uma representação da arquitetura colonial mineira. O prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1946.

O acervo do museu foi adquirido entre os anos de 1956 e 1963 e conta com objetos que mostram como era a vida colonial na cidade entre séculos XVII e XX. São mobílias, documentos, instrumentos musicais, pinturas, exposição dos meios de transporte usados ao decorrer dos anos, utensílios, imagens e objetos da vida religiosa local.

Nos andares inferiores, onde funcionava a loja de secos & molhados da família, há artigos sobre o comércio da época. Já em cima, nos quartos principais, os objetos da vida privada dos antigos donos da casa.

Foto: mineirosnaestrada.com.br

Rua Marechal Deodoro, 12 – Centro – São João Del Rei – Minas Gerais (Letra G do mapa)

Tel: (32) 3371-7663
Horário de Visitação: Terça a sexta-feira, das 10h30 às 17h30; Sábados e domingos: de 13h30 às 177h30
Ingresso: R$1,00 (aos domingos é grátis)

Maria-fumaça

É a história sobre trilhos. O trem turístico liga São João Del Rei a Tiradentes e atrai turistas do Brasil e do mundo.

A Maria Fumaça é uma das poucas máquinas a vapor no mundo que ainda roda em trilhos. É uma viagem pela história e cultura ferroviária de Minas Gerais.

A antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) foi inaugurada em 1881 por Dom Pedro II e abria caminho entre o Cerrado e a Mata Atlântica para levar o turista a um belo passeio pelas serras do complexo de São José.

Além das belezas naturais, o passeio também conta com grandes atrações turísticas e culturais como a Rotunda, o incrível giro da locomotiva – realizado de maneira manual, preservando o costume da época da Maria Fumaça – e o Museu Ferroviário.

São 12 km de travessia por uma belíssima diversidade ecológica e paisagens que ainda preservam a arquitetura do século XIX. Tudo isso a bordo da Maria-Fumaça mais antiga em operação no Brasil.

Tarifas
Inteira ida: R$ 60,00 | Inteira ida e volta: R$ 70,00
Meia ida: R$ 30,00 | Meia ida e volta: R$ 35,00
Entrada gratuita para crianças de 0 a 5 anos mediante apresentação de certidão de nascimento.

Meia entrada (50%) válida para:
– Crianças de 6 à 12 anos mediante apresentação de certidão de nascimento;
– Estudantes mediante apresentação da documentação de escolaridade e identidade com foto;
– Pessoas acima de 60 anos apresentando documento de identidade com foto.

Endereços e Informações:

Estação São João Del Rei
Rua Hermílio Alves, 366 – Centro – São João Del Rei
(32) 3371-8485
Bilheteria: quinta a domingo a partir de 09h

Estação Tiradentes
Praça da Estação s/nº, Tiradentes/MG, Brasil
Bilheteria: quinta a domingo a partir de 9h

Museu Ferroviário

O Museu Ferroviário fica na Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Oeste-Minas, e de lá partem os passeios realizados na maria-fumaça para a cidade de Tiradentes.

O acervo do museu inclui maquinário, diversas fotos históricas, locomotivas e, em destaque, a primeira locomotiva com vagão de luxo.

Vida Noturna

Por ser uma cidade universitária, contando com a Universidade Federal de São João Del Rei por exemplo, a vida noturna de São João Del Rei é um capítulo a parte.

No Largo do Carmo, por exemplo, estão vários barzinhos para todos os gostos e bolsos. Destaque para Taberna d’Omar, que tem apresentações de chorinho.

O Largo São Francisco também não faz feio no quesito barzinhos.

 A culinária também é deliciosa. Nos cardápios não faltam o arroz branco, o feijão “afogado” com bastante alho, um tipo de folha como couve, almeirão, taioba, serralha e outras, acompanhadas de vários tipos de pratos cuja base é a carne de boi ou porco. A mandioca também é apreciada e servida de várias formas.

O famoso feijão tropeiro, o frango ao molho pardo, frango com quiabo, frango à caipira, tutu à mineira com a lingüiça, angu (sem sal) e torresmo não faltam! Nas mesas da cidade sempre tem as farinheiras, com farinha de milho e de mandioca.

Nos dias frios ou à noite, a preferência é pela canjiquinha, caldo de mocotó e caldo de feijão.

Entre as sobremesas os típicos doces mineiros de leite, de frutas como figo, mamão, abóbora com coco, pêssego, goiabada, marmelada, doce de coco, pau doce, pau de mamão, cidra (acompanhada com o queijo mineiro), ambrosia e queijadinha.

Próximo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, há uma loja de doces em pedaços que é uma tradição de São João Del Rei. O estabelecimento oferece doces de vários tipos e qualidades envolvendo uma tradição familiar. Os destaques são os doces de batata doce e o doce de figo com leite e coco.

Lendas São Joanenses 

Ao longo do ano acontece um teatro de rua que vai andando pelo centro histórico contando algumas das Lendas de São João Del Rei. São as Lendas São Joanenses.

 Confira mais no insta Lendas São Joanenses.

 Igrejas: construções centenárias

As igrejas de São João Del Rei merecem uma matéria a parte, pela beleza, imponência e história. São várias, mas vamos destacar algumas:

São Francisco de Assis
Construída em 1774, tem o projeto original feito por Aleijadinho. Mas foi Francisco de Lima Cerqueira quem começou as obras, fazendo inclusive algumas modificações no projeto. É tombada pelo Iphan.

Os destaques são as duas torres e os vários detalhes em relevo. A igreja possui sete altares feitos de madeira, sendo um na nave-mor e três em cada lateral da igreja, sendo um deles dedicado a São Francisco de Assis.

No centro do teto pende um enorme lustre de cristal. Nos fundos da igreja, há um pequeno cemitério, onde estão sepultados Tancredo e Risoleta Neves.

A igreja fica na Praça Frei Orlando, 150 – Centro.
Para visitar seu interior, paga-se R$2,00. Fotografias são permitidas.

Matriz Nossa Senhora do Pilar
Foi construída em 1721, em substituição à antiga igreja do Pilar, que foi destruída na Guerra dos Emboabas.

Por fora pode ser considerada simples, mas no interior se destacam duas telas importadas de Portugal em 1730. Imagens e entalhes banhados a ouro também dão um tom rebuscado e belo ao ambiente. Além do altar-mor, há seis altares nas laterais, sendo três de cada lado.

Aberta a visitação: diariamente, de 7h às 10h e de 13h às 19h.
Fotografias no interior são permitidas.

Nossa Senhora do Carmo
A construção data de 1787. São duas torres e há algumas imagens em relevo sobre a porta principal.

A maior parte do seu interior é branca, o que dá um ar de simplicidade à igreja, mas também há alguns detalhes dourados.

Ao lado da igreja há um cemitério coberto de 1836, mas que só abre pela manhã.

Aberta a visitação: Segunda a sexta: de 7h ás 12h; Sábado: de 7h às 12h e de 13h às 18h30. Domingo: de 7h às 11h e de 12h às 14h.
Paga-se R$3,00 para entrar e fotografias são permitidas.

Nossa Senhora do Rosário
Foi reconstruída em 1751 em substituição à igreja antiga, que ficava no mesmo local. Tinha apenas uma torre, que foi derrubada por correr risco de cair. Posteriormente, duas torres foram construídas.

Foto: mineirosnaestrada.com.br

Aberta a visitação: terça a domingo, de 8h às 11h30

Nossa Senhora das Mercês
Foi reconstruída em 1877, em substituição a uma antiga capela. Fica no alto de uma escadaria, com um cruzeiro, e tem apenas uma torre. Em um dos altares está Nossa Senhora das Mercês.

Foto: mineirosnaestrada.com.br

Aberta a visitação: De segunda a sexta, de 8h às 12h e de 13h30 às 17h; Sábado, de 8h às 12h. Domingo, de 9h às 12h

Outras igrejas

Igreja São Gonçalo Garcia:  Fica na Praça dos Expedicionários e é mais nova, de 1936. Abre de segunda à sexta, de 7h às 17h, e sábados e domingos de 7h às 11h.

Capela Nossa Senhora das Dores: Rua Dr. Cid de Souza Rangel, s/n. Não abre para visitação.

Capela Senhor do Bonfim: No bairro Bonfim. Não abre para visitação.

Capela Senhor dos Montes: No bairro Senhor dos Montes. Não abre para visitação.

Festas religiosas

Em São João Del Rei tem festa todos os meses.

Destaque para a Semana Santa, com programação intensa todos os dias. São procissões e missas em latim.

Um dos momentos mais esperados da Semana Santa é o Ofício de Trevas. Uma tradição secular da Igreja Católica.

Foto: Thiago Morandi

Preservado por mais de três séculos, o antigo Ofício Divino é todo entoado em latim e repleto de simbolismo. A cerimônia é dividida em três partes e é realizada na quarta, sexta e sábado da “Semana Maior” do cristão.

Com orações e cantos de Santo Agostinho, salmos e lamentações, o Oficio tem o objetivo de ajudar as pessoas a entenderem os sentimentos de Cristo em sua dolorosa Paixão. Durante o rito, são executados os responsórios e as laudes, compostos por padre José Maria Xavier, alternando com o Coro Gregoriano.

As atenções são voltadas para o tenebrário, um grande candelabro triangular, com 15 velas, situado ao lado direito do altar. Ao final da leitura de cada salmo, uma vela é apagada. Apenas uma, no vértice, é mantida acesa e levada para trás do altar. Esta vela representa Jesus Cristo, a luz do mundo, que nunca se apaga.

Quando a vela está escondida, todas as luzes da igreja são apagadas. É o momento das trevas, na qual os fiéis batem com o pé no assoalho, fazendo um estrondoso barulho. Em seguida, as luzes são novamente acesas, anunciando que Cristo ressuscitou.

Fonte: Diocese de São João Del Rei.

Já na festa de Corpus Chisti é feito um caminho com tapetes, confeccionados ao longo do centro histórico. A tradição começou há séculos, com a chegada dos portugueses no Brasil.

São metros e metros de tapetes espalhados que usam toneladas de areia pintada, serragem, pó de café e flores. É um espetáculo a céu aberto.

 

Se você quer conhecer todas as festas de São João Del Rei se prepare, pois a lista é longa. Veja mais no site Descubra Minas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Insira seu comentário
Por favor digite seu nome