Minasul investe R$ 22 milhões em nova usina de café em Varginha

Complexo operacional da Minasul em Varginha — Foto: Divulgação/Minasul
Complexo operacional da Minasul em Varginha — Foto: Divulgação/Minasul

Nova estrutura entra em fase de testes e deve começar a industrializar os grãos em outubro

A Minasul está investindo R$ 22 milhões em uma nova usina de preparo de café em Varginha, no Sul de Minas. A estrutura entra em fase de testes operacionais nas próximas semanas e foi projetada para ampliar o processamento dos grãos recebidos pela cooperativa, com foco na padronização, melhoria da qualidade e maior valorização do café dos produtores.

A previsão é que a industrialização dos cafés na nova unidade comece em outubro. O investimento reforça a estrutura da Cooperativa Agroindustrial de Varginha em um período de aumento no recebimento e nos estoques do produto.

Nova usina amplia estrutura da Minasul em Varginha

Atualmente, a Minasul possui duas usinas com capacidade para preparar aproximadamente 800 mil sacas de café. Esse volume, entretanto, é inferior à quantidade comercializada anualmente pela cooperativa, que varia entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de sacas.

A nova unidade foi planejada justamente para reduzir essa diferença e aumentar a quantidade de café que passa por processos de preparação antes de chegar ao mercado.

Segundo o diretor-presidente da Minasul, Bernardo Paiva, a intenção é fazer com que todos os cafés comercializados pela cooperativa passem por algum processo de preparação ou melhoria, aumentando as possibilidades de agregação de valor e, consequentemente, de melhor remuneração aos produtores.

O projeto da nova usina foi aprovado em 2025 e está sendo concluído neste mês de setembro.

Minasul registra estoques elevados de café

A ampliação acontece em um momento de forte movimentação da safra mineira. Considerando as unidades mantidas pela Minasul em 12 municípios, os estoques chegam atualmente a aproximadamente 1,15 milhão de sacas.

Desse total, cerca de 950 mil sacas permanecem sob posse dos produtores associados. A cooperativa também mantém aproximadamente 100 mil sacas próprias destinadas à exportação.

A chegada de café aos armazéns continua intensa. Para 2026, a expectativa da Minasul é alcançar 1,6 milhão de sacas recebidas. Até o momento, o volume já atingiu cerca de 1,25 milhão.

O mercado também atravessa um período de ajuste nos preços. Segundo os dados apresentados pela cooperativa, a saca que vinha sendo negociada entre R$ 1,9 mil e R$ 2 mil há cerca de duas semanas passou para aproximadamente R$ 1,65 mil.

A avaliação da Minasul é que o recuo está relacionado ao período de colheita e pode ser temporário. Apesar da redução, a combinação entre produtividade e preço ainda é considerada favorável aos cafeicultores neste ano.

Os estoques mundiais relativamente baixos e os problemas climáticos enfrentados pela produção nas últimas safras também são fatores acompanhados pelo setor para avaliar o comportamento futuro das cotações.

Cooperativa movimenta R$ 2,5 bilhões por ano

Sediada em Varginha, a Minasul registra faturamento anual de aproximadamente R$ 2,5 bilhões e aparece entre as grandes empresas do agronegócio brasileiro.

No segmento das cooperativas de café, ocupa a terceira posição nacional em faturamento, atrás da Cooxupé, de Guaxupé, e da Cocatrel, de Três Pontas.

A presença internacional também é significativa. Segundo as informações divulgadas pela cooperativa, a Minasul é a segunda maior exportadora de café do Brasil entre as cooperativas, atrás da Cooxupé, e responde por cerca de 1% do café destinado à exportação comercializado mundialmente.

Número de cooperados continua crescendo

A Minasul possui aproximadamente 11 mil produtores cadastrados, dos quais cerca de 8,5 mil são considerados cooperados ativos.

A base vem crescendo nos últimos anos. Em 2025, aproximadamente 500 novos associados ingressaram na cooperativa. Em 2026, o número de novos cooperados já chegou a 730.

A expansão da estrutura de processamento acompanha justamente esse aumento na base de produtores e no volume de café movimentado pela instituição.

Com a nova usina de R$ 22 milhões em Varginha, a cooperativa pretende ampliar sua capacidade de preparar os grãos antes da comercialização e buscar melhores condições de mercado para a produção recebida dos associados.

Fonte: Diário do Comércio