Apagão Docente: Brasil está sofrendo com a falta de professores

A pesquisa “Risco de Apagão Docente” alerta sobre a possibilidade da falta generalizada de professores no país.

Em quatro anos, o Brasil registrou queda de professores formados para dar aulas das principais disciplinas escolares. Das onze
áreas de formação específica para lecionar na educação básica, oito tiveram redução de novos professores, de acordo com estudo feito pelo Instituto Semesp – Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior.

Os dados fazem parte da pesquisa “Risco de Apagão Docente”, feito pela Semesp, e servem como um alerta sobre a possibilidade da falta generalizada de professores no país diante da crise vivida na profissão.

A redução de professores especialistas formados afeta principalmente os alunos dos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º
ano) e do ensino médio. A educação básica, mesmo com um número estável de professores nos últimos anos (2,19 milhões de
2014 a 2020), já sofre com déficit desses profissionais em alguns locais.

Para especialistas da área, a queda no número de novos professores pode estar relacionado ao fato dos jovens que saem do ensino médio não se sentirem atraídos para a docência devido à desvalorização da carreira.

Dados do estudo

O estudo “Risco de Apagão Docente” mostra que os cursos com maior redução de formados foram biologia (com diminuição de 24,8% de formados no período), química (19,9%), geografia (-19,7%), ciências sociais (-18,9%) e educação física (18,2%).

Outras disciplinas também apresentaram redução de formandos no período, como Filosofia (-13,5%), letras (-12,3%) e história (-9,2%). Os únicos cursos com pequeno aumento foram matemática (aumento de 1,8%), artes visuais (2%) e física (9,2%).

“Outras carreiras acabam sendo mais atraentes por terem melhores salários e condições de trabalho. Até mesmo dentro dessas áreas de estudo, muitas vezes acaba sendo mais vantajoso trabalhar como bacharel do que como professor”, avalia Rodrigo Capelato, diretor
executivo do Semesp.

Os cursos com maior crescimento de formados no período analisado — e que mascaram a queda dos demais cursos quando se agrupa todas as licenciaturas— foram os de formação em educação básica e educação especial.

Em geral, essas são graduações feitas por quem já atua em sala de aula e está se especializando. Ou seja, os formados nesses
cursos não vão se tornar novos professores.

Para Caetano Siqueira, coordenador do Movimento Profissão Docente, é urgente que o Brasil avalie e busque estratégias para melhorar as condições de trabalho dos professores. Ele ressalta que as melhorias não devem ser apenas salariais, mas também estruturais.

“Muitos fatores têm afastado as pessoas da sala de aula. A violência, a pobreza, a falta de estrutura. Ainda temos escolas sem água e sem banheiro. A valorização da carreira passa por esse caminho longo de melhorar as condições da educação”, diz.

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