Vladimir Putin formaliza anexação de áreas da Ucrânia

Vladimir Putin
Presidente Vladimir Putin discursa sobre a anexação de territórios ucranianos à Rússia. Imagem: Reprodução

Putin afirmou que a população votou pela anexação das áreas da Ucrânia a Rússia, por meio de referendo.

Nesta sexta-feira, 30, a Rússia formalizou hoje o processo de anexação de quatro regiões ucranianas ao seu território. O movimento, no entanto, foi declarado ilegal e fortemente condenado pela comunidade internacional.

Na última semana, foram organizados “referendos” de anexação que, apesar de serem acusados de fraude, deram ampla vitória pró-Rússia.

Com essa justificativa, as áreas de Donbass (Donetsk e Lugansk), Kherson e Zaporizhzhia (essas duas no sul) foram anexadas e representam cerca de 15% do território total da Ucrânia.

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“Os habitantes de Lugansk e Donetsk, Kherson e Zaporizhia se tornam nossos cidadãos para sempre. As pessoas votaram pelo nosso futuro comum”, disse o Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

A cerimônia ocorreu no Palácio de St. George, em Moscou, onde o presidente criticou fortemente o Ocidente, em especial os Estados Unidos e fez uma defesa do que ele chamou de valores morais tradicionais. Também Disse que os países ocidentais se movem ao caminho do “satanismo”.

Não foi a primeira vez que a Rússia deu continuidade a planos de anexar uma região da Ucrânia mesmo com condenações internacionais. Em 2014, a península da Crimeia (sul) passou a ser considerada território russo, embora o decreto também não tenha sido reconhecido pela comunidade internacional.

Negociações

O presidente russo disse estar disposto a voltar a negociar com a Ucrânia, mas afirmou que os territórios das quatro regiões anexadas hoje estão fora de questão porque “as pessoas fizeram suas escolhas”.

Fraude

O presidente da Ucrânia Volodimir Zelensky e países ocidentais, como os Estados Unidos, chamaram as votações do referendo de “farsas” e já afirmaram que não reconhecerão a anexação dos territórios.

A Ucrânia denunciou que os moradores foram obrigados a votar, ameaçados com armamentos pesados, e que o resultado “já estava pronto há tempo”. A Organização das Nações Unidas – ONU manifestou que os referendos não têm “base legal no direito internacional” e foram realizados em “áreas de conflito ativo”.

“Qualquer decisão de prosseguir com a anexação das regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia na Ucrânia não teria valor legal e merece ser condenada”, endossou António Guterres, secretário-geral da ONU, a repórteres.

*Com informações da AFP e Reuters.