Jovem de 19 anos morre de meningite em Varginha

Unidade de Pronto Atendimento
pacientes preferenciais têm direito a atendimento prioritário.

Mensagem que circula nas redes sociais afirma que houve demora no atendimento da jovem infectada com meningite. Prefeitura divulgou comunicado sobre o caso.

Uma mensagem que circula a dias nas redes sociais de Varginha cita a falta de atendimento a uma jovem, de 19 anos, que morreu de meningite no sábado, 12 de outubro.

A mensagem cita ainda que a jovem em momento algum foi isolada das demais pessoas que estavam no UPA no momento.

De acordo com nota divulgada pela Prefeitura de Varginha, a jovem realmente morreu devido a meningite, mas nega a demora no atendimento.

Confira a nota na íntegra:

“A paciente em questão deu entrada na Unidade as 17h24, com o quadro de cefaléia, febre, vômito, e erupções cutâneas em membros inferiores, desde o dia 11-10-19. A mesma foi atendida pelo Médico Plantonista, onde foi solicitado exames laboratoriais e hidratação com solução fisiológica, sendo medicada as 17h50n e permanecendo em observação do setor de medicação.

As 19h10min a paciente apresentou confusão mental e surto de agressividade, onde foi encaminhada para Sala de Emergência. Paciente agitada, com hipetermia, dispneica, acianótica, anictérica, com prurido em membros inferiores sendo solicitado a avaliação do Médico Plantonista, as 19h45min, onde o mesmo solicitou a instalação de monitorização multiparametrica, O2, RX, tomografia de crânio e mais exames laboratoriais e internação. A paciente foi cadastrada no SUSFÁCIL sob o nº 402314286.

As 20h40 a paciente evoluiu com rebaixamento do nível de consciência, Escala de Glasgow 9/15, anisocoria com midríase esquerda fotorreagente, realizado intubação orotraqueal e punção lombar para coleta de líquor. Hipótese Diagnóstica: Sepse? Encefalite? Meningite?

As 21h20 a paciente evoluiu com PCR, realizado RCP sem sucesso. As 22h foi constatado óbito.

A paciente em questão foi atendida de imediato na Unidade, ou seja, ela deu entrada as 17h24min e as 17h50min, já havia passado pelo atendimento médico e estava sendo medicada.

Assim que a paciente apresentou alteração no seu quadro clínico, foi encaminhada diretamente para a Sala de Emergência, recebendo assim todo atendimento necessário.

Segundo informações colhidas do marido da paciente, no dia 11-10-19, ela queixou-se de febre, cefaléia intensa e dor para urinar. Desde então começou a tomar Paracetamol de 2 em 2 horas. A paciente apresentou resistência para ser removida para o serviço de saúde, porém, seu marido chegou na residência por volta das 16h do dia 12-12-19 e observou inúmeras petéquias nos membros inferiores, convencendo a mesma a vir passar por atendimento nesta Unidade. A demora da ida a UPA foi o fator preponderante de um desfecho desfavorável.

Em nenhum momento houve negligência ou imperícia ou imprudência sobre o caso. Deve-se ressaltar que a paciente chegou em estado grave na UPA. 

Ainda para se contrair a doença, não basta estar perto da pessoa, necessariamente deve haver o mínimo de convívio com o paciente fonte e principalmente com a secreção salivar através de gotículas. Higiene adequada como lavar as mãos antes e após qualquer atividade, manter ambiente bem ventilado podem evitar o contágio. As vacinas para meningite são aplicadas mediante o cartão de vacinação do SUS no 3º, 6º  e  12º mês de vida.

Os profissionais da Unidade envolvidos no atendimento direto com a paciente em questão, foram medicados, conforme protocolo de meningite”.

Ações da Prefeitura

Após a morte da jovem a Prefeitura iniciou o protocolo necessário:

  • Encaminhamento das amostras coletadas para o Laboratório de Referência em Belo Horizonte;
  • Realizada investigação epidemiológica para obtenção de informações quanto à caracterização clínica do caso (incluindo a análise dos exames laboratoriais) e as possíveis fontes de transmissão da doença;
  • A equipe de Vigilância Epidemiológica e da Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde reuniu na segunda-feira de manhã para discussão e elaboração de medidas, de prevenção, orientação e ações estratégicas para o controle da doença;
  • Reunião com familiares e amigos da falecida sobre medidas a serem adotadas;
  • Reunião com demais contatos, junto com o médico Dr. Rafael e equipes da Unidade de Saúde e Secretaria de Saúde, onde após orientações, foi emitida receitas individuais para início da Quimioprofilaxia. Reforçamos que a indicação para quimioprofilaxia nos casos de Meningite é para os contatos íntimos e prolongados.

Também foi feito o fornecimento dos medicamentos, liberados pela Superintendência Regional de Saúde – SRS para as pessoas que tiveram contato com a falecida.

Tais medidas seguem as Normas e Protocolos do Ministério da Saúde – MS e Secretaria Estadual de Saúde – SES, que preconiza ações de prevenção, enfatizando as orientações para os familiares sobre a doença, o seu controle e formas de transmissão.

A vacina é indicada em casos de epidemia e surtos da Meningite Meningocócica, o que não está acontecendo no momento em Varginha.

Recomendações Gerais

O paciente deve procurar os serviços de saúde UPA e Pronto Atendimento sempre que apresentarem sintomas como: dor de cabeça, vômitos, febre alta, rigidez de nuca (pescoço endurecido), manchas no corpo.

Não tomar medicamento sem prescrição médica, principalmente antibiótico. Notificar os casos suspeitos, para o Setor de Epidemiologia.

Colocar o calendário de vacina em dia, principalmente da criança.

Nota: A Secretaria Municipal de Saúde, através da Vigilância Epidemiológica, rotineiramente está monitorando todos os casos das Doenças de Notificação compulsória, inclusive as meningites. Todos os serviços de Saúde, principalmente os PA e UPA, estão em alerta para o diagnóstico dos casos graves da doença, e notificação imediata, conforme preconiza o MS/SES.

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde volume: 01 do Ministério da Saúde – 2017.

Sobre a doença

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A meningite pode ser causada por vírus ou por bactéria, que é mais grave. 

O risco de contrair meningite é maior entre crianças menores de cinco anos, principalmente até um ano, no entanto pode acontecer em qualquer idade.

A principal forma de prevenir a meningite é por meio da vacinação.

No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica. Casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno e das virais na primavera-verão.

Modo de transmissãoA meningite de origem infecciosa pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas. Contato direto pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas, assintomáticas ou doentes. A transmissão por fômites não é importante.

Manifestações clínicas: O quadro clínico, em geral, é grave e caracteriza-se por febre, cefaleia, náusea, vômito, rigidez de nuca, prostração e confusão mental, sinais de irritação meníngea e outros.

Como se prevenir?

A meningite é uma síndrome que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos. Para alguns destes, existem medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia.

Outras formas de prevenção incluem: evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados e limpos.

Vacinas: estão disponíveis para prevenção das principais causas de meningite bacteriana. As vacinas disponíveis no calendário de vacinação da criança do Programa Nacional de Imunização são:

a) Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C: protege contra a Doença Meningocócica causada pelo sorogrupo C;

b) Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite.

c)  Pentavalente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.

d) Vacina BCG: protege contra as formas graves da tuberculose e nos casos de meningite.

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