Estudante do Sul de Minas é selecionada por fundação de Bill Gates nos EUA e ganha bolsa de 2 milhões

Aluna da rede estadual do Sul de Minas ganha bolsa de R$ 2 milhões para estudar em universidade nos Estados Unidos.

A paixão pela ciência e a busca pelo conhecimento científico motivaram Malu Bustamante, de 18 anos, a trilhar os primeiros passos do caminho que a levaria a ser contemplada com uma bolsa de estudos no valor de R$ 2 milhões de reais para estudar em uma universidade nos Estados Unidos. Aluna da Escola Estadual Mário Goulart Santiago, da cidade de Pedralva, no Sul de Minas, Malu foi a única brasileira selecionada pela Fundação Bill e Melinda Gates para estudar, a partir de agosto de 2023, o curso de Gestão Científica, na Faculdade Claremont McKenna, no estado da Califórnia

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aluna Malu Bustamante Pedralva Sul de Minas
Aluna Malu Bustamante Pedralva Sul de Minas

Malu Bustamante é a única brasileira selecionada pela Fundação Bill e Melinda Gates para estudar nos Estados Unidos com bolsa integral de estudos universitários na área da ciência

Malu conta com alegria sobre a conquista desse sonho. “Fiquei muito feliz de ser selecionada e ganhar essa bolsa. O resultado saiu no dia da minha formatura do 3º ano do Ensino Médio. Quando li a carta de aceitação da seleção, achei que era mentira”, comemora a estudante. Ela conta que um dos critérios da fundação para a escolha do seu nome foi o desempenho escolar alcançado, desde o 9º ano do ensino fundamental. O processo em que ela participou para concorrer à bolsa começou em 2020, ainda no período da pandemia, e durou cerca de dois anos e meio. 

A ciência faz parte da vida de Malu há muito tempo e se tornou ainda mais presente nos últimos três anos, o que a levou a se dedicar para conquistar a bolsa de estudos. Durante o ensino médio, ela participou de competições nacionais e, em 2020, começou a desenvolver pesquisas e a publicar em uma plataforma de rede social. Em 2021, concorreu na  Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), na qual foi premiada com medalha de ouro. Já na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ela conquistou a medalha de bronze. 

É uma oportunidade de ver como a ciência é trabalhada mundialmente para trazer ao Brasil os exemplos já aplicados em países que estão à frente nessa área, como Índia, EUA e China. Quero contribuir para trazer mais reconhecimento para área, uma vez que a tecnologia anda lado a lado com o ser humano. Pretendo retornar ao Brasil após a formação e trabalhar na área de implementação de tecnologias inovadoras, como nanotecnologia, computação quântica e interface entre computador e cérebro, porque me identifico muito com essas linhas de pesquisa” relatou Malu Bustamante. 

A vice-diretora da Escola Estadual Mário Goulart Santiago, Teresinha Aparecida Rodrigues, falou da importância dessa premiação, de ver uma aluna da sua escola sendo destaque internacional. “Entrei em 2007 como professora, fui supervisora, vice-diretora e agora serei diretora. Meu papel sempre foi apoiar os alunos. Com o ensino remoto, percebi que a Malu se destacou. Sempre a apoiei e disse que ela poderia chegar em qualquer lugar, bastando ela acreditar. Não tinha dúvidas de que ela conseguiria essa conquista por causa do empenho e dedicação, sempre foi uma estudante exemplar, conseguiu associar o projeto que participava fora da unidade com os estudos da escola”, ressaltou Teresinha. 

Vice-diretora da Escola Estadual Mário Goulart Santiago, Teresinha Aparecida Rodrigues e a aluna Malu Bustamante – Pedralva / Sul de MG.

Para a estudante, na escola pública há muitos talentos a serem descobertos pelo mundo. “O que eu mais quero é que eu não seja uma exceção entre milhares de alunos da rede pública, que no futuro isso seja uma realidade para todos”, declarou Malu Bustamante.

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Agora, a expectativa da estudante é permanecer por quatro anos em solo americano até concluir a graduação. Para Malu, o futuro é longo, pois há um grande percurso pela frente fora do Brasil. Ela espera que a ciência seja a ponte que a levará a mergulhar neste grande universo que a estudante define com a frase de William Shakespeare: “Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar o rei do espaço infinito“.