O juiz agredido ficou impossibilitado de trabalhar durante 30 dias.
A Prefeitura de Passa Quatro deverá indenizar um árbitro de futebol que foi agredido enquanto apitava um jogo realizado no estádio da cidade. Deverão ser pagos R$ 10 mil por danos morais, além de R$ 6.342,25 por danos materiais.
A decisão é da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, confirmando sentença da Comarca de Passa Quatro.
De acordo com as informações, a vítima foi contratada para realizar a arbitragem de um jogo de futebol patrocinado pela prefeitura de Passa Quatro, no estádio da cidade.
No decorrer da partida o árbitro precisou punir um atleta com cartão amarelo. O atleta ficou irritado e passou a questionar o árbitro verbalmente em tom agressivo. Após o tumulto, o irmão do jogador envolvido na confusão, que assistia a partida, entrou em campo e agrediu o árbitro com pontapés.
As agressões resultaram em luxação da coxa direita e lesão no joelho direito, sendo constatado através de ressonância a ruptura de ligamento anterior cruzado do joelho, estiramento do ligamento colateral, rotura do corno posterior do menisco medial, lesão do corno anterior do menisco lateral, derrame articular e edema com contusão óssea. A vítima permaneceu incapaz de realizar suas ocupações habituais por mais de 30 dias.
A decisão foi baseada no fato de que o município não tomou as providências necessárias para a realização do evento, não havendo comprovação da convocação de efetivo da Polícia Militar ou mesmo contratação de empresa privada de segurança, sendo responsabilizado pela falha no dever de vigilância.
“A conduta omissiva imputada ao município de Passa Quatro consiste na inobservância ao dever de zelo e de vigilância a fim de garantir a integridade física dos participantes e prestadores de serviço sobre a realização do evento, resultando na inexistência de policiamento preventivo adequado que garantisse a ordem pública no decorrer da partida de futebol”, diz trecho do acórdão.
O município alegou ter encaminhado ofício ao Estado de Minas Gerais solicitando a convocação de efetivo da Polícia Militar, mas não juntou aos autos documentação que comprovasse o argumento.
O Estado de Minas Gerais, por sua vez, juntou ofício da Polícia Militar ressaltando que a única documentação referente ao ocorrido é o Boletim de Ocorrência lavrado no dia dos fatos, não havendo qualquer tipo de pedido de policiamento por parte da Prefeitura Municipal para o exercício de atividades no local do evento.
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