Projeto do Cefet-MG propõe reutilizar a água da chuva para limpeza de carros no lava a jato.
O diferencial da pesquisa desenvolvida no CEFET-MG Divinópolis vem com a utilização de um Controlador Lógico Programável (CLP), sensores e temporizador, que controlam o volume da água e fazem com que todo o processo seja automático.
Segundo estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), lavar o carro em um lava-rápido consome 250 litros de água. Esse volume é cinco vezes maior do que o gasto diário de água de uma criança em uma creche.
Para além do grande impacto ecológico, esse volume também representa um prejuízo financeiro. Foi o que percebeu o técnico em Eletromecânica pelo campus Divinópolis do CEFET-MG Thiago da Fonseca.
Ele começou a pesquisa “Sistema de reaproveitamento de águas pluviais aplicado à lava a jato” em 2020, ao observar o lava a jato de um amigo: “Vi que os gastos na conta de água eram elevados e que o desperdício era incalculável. A partir disso, tentei encontrar um meio sustentável e simples para amenizar essa realidade”.
Sob orientação dos professores André Paganotti e Marielle da Silva, ele propôs um sistema automatizado que capta a água da chuva para utilizar na lavagem dos carros. Sistemas de reuso da água pluvial para lavagem de carro ou outras atividades que não dependem de água potável já existem. O diferencial da pesquisa do CEFET-MG vem com a utilização de um Controlador Lógico Programável (CLP), sensores e temporizador, que controlam o volume da água e fazem com que todo o processo seja automático.
O sistema funciona da seguinte maneira: com o início da chuva, a água começa a descer pela calha e pelo cano. “O sensor capacitivo percebe a presença da água e envia um sinal ao temporizador, que contará cinco minutos até fechar a válvula”, explica Thiago.
Durante esses cinco minutos, a água não é captada, para evitar que sujeiras como folhas e gravetos cheguem ao reservatório. “Quando a válvula se fecha, começa o processo de enchimento do reservatório”, conta o estudante. “Dessa forma, quando o reservatório estiver cheio e o sensor de nível presente dentro dele for ativado, um sinal é enviado para a válvula, que, dessa vez, se abre e direciona a água para o escoamento novamente”.
Thiago projetou o layout do sistema no software AutoCAD e utilizou dos índices pluviométricos da cidade de Divinópolis para dimensionar o reservatório e o funcionamento dos sensores.
O professor André Paganotti destaca que este é um projeto simples, de baixo custo e que pode ser facilmente implementado. Também mostra um lado importante da Engenharia Mecatrônica: atuar para resolver problemas práticos da sociedade. “A Engenharia Mecatrônica pode atuar por meio de sensores, que podem ‘perceber’ uma situação de desperdício e ‘atuar’ por meio de algum sinal luminoso, sonoro ou luminoso”, afirma. “Podemos desenvolver dispositivos que percebem as situações de desperdício e tomam atitudes para que isso seja interrompido ou minimizado.”
Ao final do projeto, Thiago e seus orientadores chegaram à conclusão de que o dispositivo, ainda que demande um investimento inicial, trará resultados financeiros benéficos em pouco tempo. “Concluímos também que o CLP é um controlador que merece grande atenção no mercado para resolver problemas e questões cotidianas de maneira prática e rápida”, pontua. “Além disso tudo, o projeto auxilia na redução do desperdício de água de certos setores do mercado”.
Além dos resultados práticos, André ressalta os ganhos acadêmicos e profissionais dessa pesquisa. “Ela representa para o aluno uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional, uma vez que ele teve que resolver alguns problemas relacionados ao desenvolvimento do projeto e da especificação dos elementos eletrônicos e mecânicos envolvidos”. O projeto foi apresentado na edição de 2021 da Semana de Ciência e Tecnologia do CEFET-MG.



